Produto
orgânico brasileiro atrai alemães e japoneses
Cintia Cardoso - da Folha de S. Paulo - Outubro de 2002
A área
total plantada, cerca de 50 milhões de hectares, e o
fato de a legislação brasileira proibir o cultivo
de transgênicos são, segundo especialistas ouvidos
pela reportagem, as principais razões de interesse para
a compra da produção orgânica do país.
A agricultura orgânica combina métodos tradicionais, como o plantio
direto, com o uso de técnicas modernas, como o controle biológico
de pragas. A regra é evitar fertilizantes químicos ou agrotóxicos.
Na Alemanha, o consumo de produtos orgânicos movimenta anualmente US$
10 bilhões. Dentro de dez anos, estima-se que esses produtos ocupem
20% do mercado de alimentos do país.
Segundo Dinah Mazzo, responsável pelo departamento de feiras da Câmara
Brasil-
Alemanha, a porta de entrada para aumentar a inserção de produtos
brasileiros no mercado alemão pode ser a Biofach 2003.
A feira, que é a maior dedicada a orgânicos no mundo, ocorre na
Alemanha em fevereiro do ano que vem e vai contar com um estande de 250 metros
quadrados dedicado exclusivamente a produtos brasileiros: de sucos a artigos
de
artesanato.
Para participar do evento, é preciso que os produtos sejam certificados
por alguma empresa reconhecida pelo Ifoam {certificadora internacional de origem
alemã).
A câmara informa que, para os interessados, serão vendidos pacotes
com hospedagem, passagem, frete dos produtos e área no estande. Ainda
não há estimativa de preços. Em 2001, o custo do metros
quadrados no estande era de 139
euros. A câmara recebe inscrições até o dia 27.
Uma parceria entre a câmara, a Apex {Agência de Promoção
das Exportações) e algumas das principais entidades do setor
no Brasil, como o IBD {Instituto Biodinâmico) e o Planeta Orgânico,
também vai ajudar a coordenar a presença
brasileira no evento.
Ásia
Com um mercado de alimentos orgânicos que fatura US$ 350 milhões
anuais e que importa 90% dos alimentos consumidos, o Japão é outro
país que quer ampliar a compra do produto brasileiro.
Não há estimativa oficial a respeito do volume de mercadorias
orgânicas já exportadas para o país. Mas, segundo Julia
Yamagushi, inspetora internacional de certificação orgânica,
a pauta de exportação brasileira hoje inclui banana, soja e café.
Para dar mais fôlego a esse intercâmbio, o Jetro (órgão
de comércio exterior do Japão) visitou lavouras orgânicas
brasileiras e promoveu palestras com os produtores no mês passado.
Selo
Para quem quiser entrar no mercado japonês, o primeiro passo é conseguir
o Jas (selo de certificação). Mas é preciso estar preparado
para desembolsar de US$ 5.000 a US$ 6.000 para arcar com os custos de certificação
e a despesa
de viagem do inspetor.
De acordo com Yamagushi, mesmo produtores que já possuam registro de
exportação de orgânicos para a Europa e para os EUA precisarão
do selo Jas.
Esse é o caso da Cia Mogi, que exporta 98% das cem toneladas produzidas
de café orgânico para países como EUA, Canadá e
Cingapura. A diretora da empresa Carolina Atalla afirma que, enquanto o mercado
interno é ainda relativamente modesto, o externo oferece melhores oportunidades,
sobretudo o ainda inexplorado mercado japonês. Por essa razão,
a empresa deu entrada no processo de obtenção do selo Jas.
ONDE
ENCONTRAR - Câmara Brasil-Alemanha,
tel: 0/XX/11/5187-5211
Jetro, tel: 0/XX/11/3141-0788 |