Participação
Brasileira na BioFach 2003 já rende mais de us$ 5 milhões
As empresas brasileiras que participaram da Biofach 2003, a maior feira mundial
de produtos orgânicos, realizada em fevereiro, em Nurembergue (Alemanha)
já estão comemorando os resultados positivos de negócios
fechados durante o evento e outros, encaminhados a partir dos contatos efetuados.
Muitos deles ainda estão em fase de negociação, mas os números
das transações já realizadas impressionam: os participantes
venderam para o mercado europeu um total de 8.800 toneladas de diversos tipos
de produtos orgânicos brasileiros, que renderam cerca de U$ 5,5 milhões,
uma soma considerável neste mercado.
A
partir desses resultados, as empresas que participaram demonstraram
interesse em ações pós-feira, que estão
sendo organizadas pela Câmara de Comércio e Indústria
Brasil- Alemanha, visando a capacitação de produtores
ainda sem acesso e habilitação no setor orgânico
para poderem participar dos mercados internacionais de exportação.
Outra meta é criar oportunidades adicionais de marketing para
a indústria orgânica de exportação, ampliar
a oferta de alimentos orgânicos para a população
brasileira e promover um ambiente favorável para a realização
de parcerias de produtores brasileiros entre si, para que possam
ampliar as oportunidades de exportação.
A
Câmara do Comércio e Indústria Brasil-Alemanha,
em parceria com a APEX-Brasil e apoio do Instituto Biodinâmico
(IBD), o Planeta Orgânico, o Sebrae e os ministérios
da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (MDA), levou empresas
brasileiras para esta edição da feira, que reuniu mais
de 1.900 expositores de 57 países. Em relação à edição
de 2002, apresentou um crescimento de 3% no número de expositores,
12% no tamanho e 6% na visitação.
A
presença brasileira na edição da Biofach deste
ano teve um considerável aumento de espaço e quantidade
de empresas expositoras, que embarcaram para Europa com o objetivo
de mostrar a força do orgânico brasileiro. Na edição
anterior, vinte empresas ocuparam um estande coletivo de 104 m2,
enquanto nesta, cerca de quarenta empresas brasileiras utilizaram
250 m2, onde para receberam visitantes, desenvolveram parcerias (inclusive
entre si), promoveram eventos, trocaram experiências e venderam
produtos nacionais certificados como café, mel, soja, suco
e açúcar, entre outros.
Para
o presidente da APEX-Brasil, Juan Quirós, as mais de 8 mil
toneladas de produtos comercializados durante a Biofach 2003 dão
a dimensão do potencial deste segmento tão importante
da economia brasileira. "O mercado brasileiro de produtos orgânicos
está ligado à agricultura familiar, além de
promover a agregação de valor ao produto e mobilizar
cadeias produtivas, desde os produtores de cafés especiais,
cachaças, açúcar até o mel. Todos os
produtores que estiveram neste mega evento puderam perceber o mercado
potencial dos orgânicos, crescente no mundo. A parceria da
APEX-Brasil com a Câmara de Comércio e Indústria
Brasil-Alemanha, com o apoio de entidades importantes como o IBD,
o Sebrae e os Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento
Agrário, foi de fundamental importância para o sucesso
da participação brasileira na Biofach 2003", conclui
Quirós.
Dados
do Organic Monitor, instituto de pesquisa inglês, apontam que
em 2001 o mercado internacional para produtos orgânicos, um
dos mais dinâmicos da indústria alimentar, gerou um
faturamento de US$ 26 bilhões, representando um crescimento
de 23% em relação a 2000. A Europa representa 46% desse
mercado; Estados Unidos, 37%; Ásia, 16%; Austrália
e Nova Zelândia, 1%. Segundo estimativas, o mercado mundial
de orgânicos chegará a um faturamento de US$ 80 bilhões
em 2008, com um crescimento projetado de 18% por ano.
Segundo
a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha,
na Europa o Brasil é visto como um mercado de grande potencial
tanto como consumidor, quanto como fornecedor de produtos orgânicos
para exportação. Prova disto é o grande interesse
gerado pelo mercado interno que, apesar de ainda não ser muito
expressivo, chamou a atenção dos organizadores da Biofach
Alemã que pretende realizar em setembro uma conferência
no Brasil, com o objetivo de difundir mais amplamente o conceito
de produção orgânica, além de tomar iniciativas
que promovam as vantagens de um crescimento do mercado interno para
produtos orgânicos e, ao mesmo tempo, abrir novas fronteiras
com países onde o consumo é habitual e movimenta grandes
valores. Essas medidas podem representar benefícios significativos,
como aumento do impacto positivo da agricultura orgânica no
meio ambiente.
Entre
os produtos brasileiros ainda pouco conhecidos na Europa, os que
mais despertaram interesse dos importadores presentes na Biofach
estão: Cacau (Alemanha e Holanda), Carne de porco (Portugal),
Cogumelo Agaricus (Alemanha, Portugal, França, Espanha, Romênia
e Coréia), Cosméticos Fitoterápicos (Alemanha
e Suíça), Cupuaçu (Holanda), Especiarias (Alemanha
e Coréia), Frutas secas e desidratadas (Alemanha, Suíça
e França), Mel (Alemanha, Itália, França, Austrália,
Malásia, Canadá, Suíça, Bélgica
e Espanha) e Palmito (Alemanha e Holanda), além de produtos
tradicionais como açúcar, cachaça, café,
açúcar, soja e suco de laranja, entre outros. Os produtos
brasileiros também geraram interesse da Argentina, Chile,
Equador, Inglaterra, Suécia, Dinamarca, Noruega, Bélgica,
Hungria, Romênia, Arábia Saudita, Afeganistão,
China, Malásia, Austrália e Nova Zelândia.
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